Eis aí um sentimento que sem dúvida perpetua nas nossas vidas. Sentimos um “arrocho” no coração quando a saudade bate, às vezes tão forte essa “batida” que ficamos introspectivos, reflexivos e tantas outras expressões de ser e estar.

Aquela saudade da infância quando éramos felizes por coisas incríveis e que às vezes consideramos banais hoje, um abraço, um doce, um balão colorido cheio, um pique esconde etc… A alegria era tão “barata”, o custo era irrisório diante do sorriso que dávamos tão instantaneamente. Saudade da fase que muitos chamam de “aborrecência”, sim, quem nunca foi chamado de aborrecente ?? Acredito que poucos não tenham sido assim chamado. A fase das descobertas, dos primeiros autoconhecimentos, da perda do tal BV… isso mesmo, boca virgem. (Risos) É tão impregnado em todos nós que lembramos os detalhes de tudo isso que faz parte da nossa adolescência.

Vem a fase adulta e grandes conquistas abstratas nos fazem sentir saudade do tempo que não precisávamos provar nada a ninguém, não precisávamos sequer nos entender direito, bastava que vivêssemos bem e alegres. Vai chegar e para alguns já chegou a velhice e nela poderemos talvez gozar das boas memórias e em disparada nosso coração sair pulsando, as lágrimas escorrerem pela face marcada pelo tempo, as rugas darão à lágrima um caminho diferente até  cair pelo chão.

A saudade nos faz por exemplo lembrar dos nossos primeiros colegas “confiáveis”… Quantos segredos deixamos vazar com essas pessoas…. Lembramos também dos aconchegos familiares, do abraço seguro do pai, da mão “santa” da mãe que nos acolhe. Esse arrocho que dá no coração é manifestação da alma, faz parte de uma predisposição biológica, pois prova a influência do cérebro aos demais órgãos, CONTUDO, é sobretudo a alma chorando por ter vivido momentos tão  especiais e estes não terem mais volta.

A saudade talvez seja o sentimento que mais signifique para nós do ponto de vista da nossa história, por ela conseguimos traçar uma linha de vivência, conseguimos rever o que tivemos, o que temos, o que fui, o que sou, onde estava, onde estou, o que pude fazer e não fiz, os abraços que perdi e os abraços que neles descansei, o beijo desperdiçado, o roubado e também o conquistado.

A saudade mexe com a alma ainda por fazer você ver que somos pequeninos diante das oportunidades em minutos que temos para viver uma ocasião. Somos pequeninos diante daquele minuto em que falamos a primeira palavra, pequeninos diante do minuto que brilhamos os olhos de alegria ao ver um amigo de longa data, somos pequeninos diante daqueles minutos que choramos por um ente querido que hoje vive apenas em nossa memória.

Falar da saudade é poder revisitar uma história única que fizemos e estamos fazendo, é  pelejar para resgatar na mente tudo que pudermos de bom para nos emocionar. Confessa, a saudade te faz sofrer, mas te faz também feliz. Ela eterniza pessoas e momentos. Falar nisso, que saudade que cresce agora de falar para quem amo que amo muito, corra, não desperdice tempo, fale e mata essa saudade já.

Por Breno Suarte

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"Tudo se compra, menos a vida. A vida se gasta."