Eu sou da época em que não tinha razões para não acreditar nas pessoas. Achava que todo relacionamento era pra sempre e que saudade era apenas o prazo até nos encontramos novamente! Sou da época que se olhasse as horas e o relógio marcasse 12:12, ou qualquer outro par de números que coincidissem, queria dizer que tinha alguém pensando em mim.

Naquela época, se minha orelha esquentasse e ficasse vermelha, tinha alguém falando de mim. E nessa mesma época, eu sempre torcia para que fosse a mesma pessoa. A mesma que estivesse pensando em mim ou que estivesse falando de mim. Nos relacionamentos atuais, já não se tem certeza se o outro realmente está pensando em você, ou até mesmo falando sobre você, ainda que sua orelha esquente ou que as horas coincidam.

Na minha época era tudo mais fácil, mais bonito, mais puro, mais sincero. Hoje as pessoas enganam por enganar, traem por mero prazer e mentem sem o menor peso na consciência. Deixaram de olhar o “nós”, passaram a se preocupar mais com o “eu”. O egoísmo sentimental chegou a tal ponto, que as pessoas passaram a evitar relacionamentos, fugir dos sentimentos, “dar perdido” em balada, agir como se nada tivesse acontecido.

Os beijos perderam o valor. Agora são apenas beijo, desses que você pode dar em qualquer um, sem que o coração sequer acelere, sem calor, sem intensidade, sem sentimento. Apenas beijo, quase que sem alma. Daqueles que nem vale a pena beijar, talvez fosse até melhor evitar.

O sexo é apenas sexo. Cada um se despe do seu lado, pouco contato físico, menos ainda contato visual. A pele não queima mais quando toca, a chama não acende mais.

Na minha época, beijo fazia o coração acelerar, um abraço apertado era capaz de tirar a dor do peito, o sexo era algo mágico, sensacional, como estar diante de uma obra prima, criar atrito suficiente pra fazer o quarto arder em chamas, e a alma delirar de prazer.

São tempos difíceis pra quem ainda insiste em sentir tudo intensamente. Essa época não irá voltar, mas somos nós que fazemos a época, talvez seja hora de fazer tudo diferente. Mais do mesmo cansa.