E se depender de mim a gente nem se fala mais. É eu sei que você já soube disso. Eu gritei aos quatro ventos, na dimensão que cabe os nossos amigos em comum, só para você saber, que a gente não se fala mais se depender de mim.

Se depender de mim, você nunca mais vai me ter te desejando boa noite com beijinho na testa. Você nem me têm mais. Engraçado, como fazia isso com toda a certeza do mundo que você gostava. É isso de beijo na testa e de ser tua.

Se depender de mim, você também nunca mais vai me ver fazendo caretas ao acordar ou dando cambalhotas na cama. Aquele espaço de tempo determinado nós dois era o meu palco, o nosso picadeiro, onde largámos toda a seriedade que construímos. Incrível, com você eu era leveza, pureza, beleza. Bailarina e palhacinha. Eu era atriz. Era o que eu queria ser.

Se depender de mim, a gente nunca mais vai bater a cabeça, naquelas danças ridículas que a gente aprontava na sala, ouvindo Presley ou Queen. Bonito era ver o quanto éramos maestros em chocar as nossas cabeças, ou qualquer parte do corpo, por sermos especialistas em desastres dançantes. A gente era música. Letra derramada. Melodia entoada. Canção que se perdeu no tempo, que a moda levou.

Se depender de mim você nunca mais vai me ver chorar. Eu escondia as lágrimas. Você quase nunca via. E quando via, se desesperava. Incrível como você sabe um pouco sobre tudo na vida, principalmente sobre mulheres, mas não sabia lidar com emoções. A gente se perde quando não sabe lidar com elas. E as vezes, temos que ficar sozinhos mesmo, contorcer-se por dentro até emergirmos desse mar renovados. Mas você sempre quis o racional demais e isso é você quem decidia. Eu aplaudia o seu desespero, uma tentativa quase louca, de me ver sorrir novamente, e ter o sol no seu dia nublado. Eu era abrigo. E você um pouco de comodidade.

Se depender de mim, esse também é o último texto que escrevo sobre o que vivemos. Porque eu disse lá no início, e tenho que cumprir, se depender de mim, a gente não se fala mais. Nem se toca mais. Nem se vibra mais. Nem se beija mais. Nem se abraça mais. Mas, o que eu MAIS queria era ser MAIS nos seus dias.

E a Marina Mels define tudo: “Eu te queria uma sensação bonita”. Já foi. Mas não é mais.

Natália Rezende

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Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.