Eu nem te conheço direito. Mas já gostei do que vi.
Somos uma dessas coisas loucas que a vida faz. Devia fazer deste texto canção. Porque a gente de certa forma é música. Somos música, porque eu inventei esse lance que eu sou movida a MPB. Aí depois virou verdade. Dessas verdades que a gente batalha para sustentar. E sustento. E você gostou. E deixou-se ser letra, samba, pop e até uma espécie de rock.
Dançamos juntos no carnaval, aquelas músicas lá que a gente nem sabia as letras. E continuamos sem saber. Mas só queríamos exorcizar os nossos fantasmas e sorrir para o novo que a vida oferece sempre. Mal sabíamos que íamos ser o motivo de uma nova arte musical. Ou, talvez, até que desconfiávamos, mas não queríamos deixar aqueles momentos mágicos em que dois indivíduos apenas em silêncio olham o céu estrelado. Isso ainda existe? Ficar junto sem nenhuma expectativa sexual exposta? A gente não se beijou, nem transou, nem ao menos se abraçou direito, mas trocamos a nossas almas, beijamos os nossos papos e transamos os nossos destinos.
Eu fecho os olhos e ainda estou deitada no chão, apoiada pelo seu braço. Ainda tenho seu coração feliz aqui do meu lado. Ainda ouço você falar dos seus livros favoritos. Ainda tenho aquela boa energia correndo pelo corpo. Ainda tenho a sensação gostosa que a química traz. Deus é um bonito cientista, compositor e artista.
 
Eu gosto de sonhar de madrugada em meio as nossas idiotas conversas,com as nossas “gordices”. Com o tapete da nossa sala de estar. Com a Coca-Cola, pipoca, brigadeiro. Com a sua “barriga de chope” que você insiste em dizer que não vai ter, já que você é o “senhor saudável”. Mas, como você mesmo diz, seremos obesos e felizes.  É tão bonito isso da gente desenhar o futuro.
Eu amo a possibilidade de um dia quando abrir os olhos e ouvir Caetano juntos, sendo os últimos românticos do litoral do Oceano Atlântico. Só falta te querer, te ganhar e te perder… Falta eu acordar do seu lado… ser gente grande para poder chorar… me dá um beijo então, aperta a minha mão, tolice é viver a vida assim sem aventura… deixa ser pelo coração… se é loucura então, melhor não ter razão.

Parafraseando: O último romântico, Caetano Veloso.

Natália Rezende

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Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.