Acordar estava ficando pesado naqueles dias. Era tanto para dizer, tanto para fazer, tanto para pensar. Enquanto ela se vestia pensava na quantidade de tempo e de vezes que viveu aquilo… E sempre superou, sempre conquistou, sempre esteve forte. Mas, tantas vezes, sentiu vontade de parar… Ah sim, seria bom ter alguém que fizesse algo por ela, só as vezes. Ela estava cansada,
Sempre fora a mais inteligente, a mais forte, a mais esperta e a mais rápida. E, ironicamente, a vida lhe obrigada a provar, o tempo todo, aquilo que era. O tempo todo, era mesmo tudo do seu tempo. Do acordar ao dormir, do trajeto para o trabalho até voltar, das facetas de ser mãe, de ser esposa, de ser mulher. até ser filha ela tinha que provar tantas vezes… Que cansativo!
Mas havia um lado bom. Ela provara, em todas às vezes, que era capaz; que era merecedora. 
Acordou o filho para a escola e deixou o marido dormindo, Era o “de sempre com açúcar”.
Fez seu trajeto costumeiro e chegou no escritório atrasada;  já era parte de si. Só 15 minutos, nada demais, ela ficava tantas horas depois que 15 minutos era quase uma piada.
Olhou em volta para o lugar conhecido de tanto tempo que quase desconhecia. Olhou as mesas vazias que eram dos amigos já idos. Empresa é assim, corte de custos e fim. Muita gente boa passou ali. Olhou as mulheres à sua volta, sabendo como era difícil se impor num ambiente tão masculino. Como era difícil a liderança feminina diante dos achismos machos dali. Impossível não pensar nas mulheres grandiosas com quem conviveu e de quem mal restara lembrança, porque o mundo corporativo as engolia. 
Simples e cruel, era a vida nesse mundo.
Concentrou-se na sua função, e quantas eram as coisas a serem feitas. Ligou aquele botão automático que as mulheres possuem e passou a produzir dentro do seu contexto. O dia era longo, misturado a um café, uma risada, um almoço, mais pensamentos e constatações.
Já era noite alta quando se deu conta que tinha que sair. Chamaria o táxi mais uma vez, ao menos isso. Ainda tinha a parte de chegar em casa, jantar, lição do filho, respirar. Às vezes respirar tinha que ser lembrado. E foi assim que se deu, até quando já era  bem tarde para ficar acordada.
Dormiu! Aquele sono de quem teve, mais uma vez, que provar seu valor; e sentiu mais uma vez esse cansaço antes de adormecer. Ela riu sozinha ao pensar que podia acordar com tudo diferente, um mundo mais justo, um vida mais tranquila.
Acordou e mal se lembrava de seu último pensamento antes de adormecer, o tempo urge, a vida urge… Tudo de novo mais uma vez e estava pronta. No trem, em pé e cansada, ela suspirou. Sentiu o cansaço da semana, olhando as redes sociais, ela riu… Era sexta-feira e nesse dia em algum lugar havia um pouco de afetividade!

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Mariah Alcântara
Mariah, escritora, sonhadora e apaixonada pela vida. Escrevo desde os 15 anos, comecei com devoção por poesia e depois crônicas e contos (minha paixão). Faço parte de alguns projetos literários importantes, entre eles a Roda de escritores (que hoje tem outro perfil de trabalho) e Escritores da Era do Compartilhamento. Acredito que o sucesso vem com trabalho, e trabalho com amor gera sucesso.