Você merecia uma daquelas princesinhas que pintam as unhas a cada quinze dias e andam sempre com o cabelo alisado (ou com uma fitagem muito bem feita, porque não).
Aquelas garotas que andam em linha reta na rua, passam rímel pra ir na esquina e sempre se vestem com as tendências do momento. Vão pra baladinha de rico, para tomar bebida doce e mantém a compostura a noite toda, no máximo com uma dor de cabeça na última música.
Sabe aquelas fofinhas? Que têm a risada melódica, a voz aguda das mais delicadinhas, que não se altera por nada. As calmas, bem humoradas e finas, que sentam que nem mocinha e até tem posicionamento político, mas preferem concentrar suas energias em outras prioridades, sem esquentar a cabeça com debate.

Já eu? Bebo cerveja, falo palavrão e morro de ressaca no dia seguinte. Tenho preguiça de fazer as unhas, com seus cantos carcomidos pela ansiedade, e ando é de cara limpa mesmo, com todas as imperfeições à mostra.

Os cabelos são hidratados, mas o calor e o vento fazem questão de desalinha-los enquanto aperto o passo autotropeçante. Visto o que me cai bem e é confortável, grande parte diretamente do brechó.
E a euforia me leva para um riso descontrolado audível na Ásia, e me irrito quando alguém me manda falar baixo no meio da empolgação. O humor é de lua e vou te dizer, muitas tempestades passam por aqui antes do sol nascer.
Não amoleço tão facilmente com comédias românticas e me reservo a raros momentos de delicadeza. Rasgo o verbo e até alguns decibéis contra tudo aquilo que não me convém…

Talvez você não me mereça.

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Ana Gabriela Regis
Escritora quando o chão some dos pés, jornalista por decisão.