A geração da globalização, da comunicação, da velocidade, das redes sociais e seus milhares de amigos. E também, a geração de tantos corações vazios. E sabe o que tentamos tapar? O medo de nos relacionarmos!

Existem por aí aquele tanto de pessoas legais, sabe?! Mas acontece que, na maioria das vezes, as cicatrizes de relacionamentos frustrados do passado impedem que estas se permitam a iniciar uma nova história. Foi bom? Foi ruim? Tudo bem, mas é necessário virar a página, abrir a janela e deixar a porta aberta para que outra pessoa possa entrar. Ficamos aí remoendo com o que se foi e nem percebemos o que está passando em nossa frente. Como se tivesse um rótulo: “Não se deixe levar, vai ser do mesmo jeito!” Com medo do fim, nem permitimos o início. Já imaginaram que se não fossem os tombos e arranhões ao aprendermos a andar de bicicleta, não seria tão boa a sensação de liberdade quando finalmente conseguimos?

Somos imediatistas para tantas coisas materiais em nossas vidas e deixamos de dar prioridade para nossos próprios sentimentos. É como que se existisse o momento errado para deixar uma pessoa entrar em nossas vidas. A hora errada para apaixonar-se, arriscar-se… O orgulho domina! Esquecemos que o tempo não perdoa! Daí, tanta gente com medo da solidão e que seguem com o coração vazio. Nos iludimos cada vez mais com aplicativos de paquera, atraídos por um cardápio de aparências, apenas. Não nos permitimos “conhecer”, afinal, existem tantas “pessoas bonitas disponíveis”. Acovardados somos! Estamos perdendo o poder da sedução, do instigar, do olhar, do sorriso, do contato, do sentimento…

E também existem muitas pessoas por aí que, com receio de terem que começar tudo outra vez, ou até mesmo com medo de ficarem sozinhos, preferem se apegar em um relacionamento meia boca, fadado à rotinas e brigas. É como se aquilo fosse a última chance da felicidade. Se anulam, deixam a vida ir passando, preferem ficar machucando a ambos. Estes esqueceram a importância do diálogo e da cumplicidade. Como se o status do relacionamento fosse mais importante que o princípio básico do amar-se a si mesmo para então doar-se ao outro.

Claro que existem por aí aqueles casais de verdade, sabe? Nestes é possível observar o brilho mútuo no olhar, no sorriso. Aqueles que estão se doando juntos, aprendendo um com o outro, passando raiva e se conciliando. E existe fórmula a seguir? Não. Estão permitindo-se!

Já o universo dos solteiros é bem complexo! Enquanto alguns tentam se enganar que preenchem vazio com a pegação, tem aqueles que realmente gostam dessa adrenalina, da farra, e assim vão seguir até que queiram, ou não. E ainda existe aquela parcela que aprendeu a deixar a vida fluir! Sem receios do “estar só”, aprenderam que é muito bom não fazer planos e sim fazer as coisas acontecerem: sair com os amigos, viajar, conhecer gente nova, aproveitar a família, estudar, ir pra balada, trabalhar, cantar, andar de bicicleta, ficar em casa assistindo filmes e séries, sair sem rumo, voltar para casa ou não… Inúmeras possibilidades! Estes, não é que perderam o medo de relacionamentos. Pelo contrário, já entenderam que só vai valer a pena deixar alguém entrar em sua vida se for para acrescentar e estiver disposto a segurar na mão para superar os desafios, se entregarem juntos e sem medo.

 

Monólogo de quem observa e vive com sentimento, por Wanessa Rocha.

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Wanessa Rocha
Apaixonada por poesia, cores, sabores, lugares, sorrisos, livros, fotografia, músicas, família, amigos, natureza... Uma pequena andarilha errante de alma transparente e eterna aprendiz com a vida!

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