Li um texto da Bruna Grotti (Divaaaaa), em que la estava falando sobre crise da meia idade feminina. Tapa na cara? Nada! E eu que vou cruzando a barreira de barro que sou e que já vejo no corpo, na alma e no espírito a idade que nem sei se a tenho, fiquei reflexiva. É que um medo da morte, inseguranças com corpo e cabelo e clichês problemáticos de todo ser que que respira são normais. Atestei.

E nisso, comecei a ver que não “taco mais o foda-se pra tudo”. Que não sou a mesma de antes. Nem de hoje. Sou um pouquinho menos corajosa. Não sei falar para as pessoas mudarem. Eu cansei das minhas mudanças. E até adoro e adoto uma zona de conforto. Eu sou o Cazuza cantando que ia mudar o mundo. Sou ironia. Ah! Quem liga? Ninguém vai ver, ou elogiar e “megafonear” os meus acertos (amo o exagero das aspas). É que adoro ficar em cima do muro e ser influenciada. É que detesto fazer escolhas, só queria abraçar todas as oportunidades que tive. Não gosto de shoppings e adoro mais que tudo sapatinhos fechadinhos e de lacinhos. Priorizo conforto. Tenho preguiça dos meus compromissos forçados. Minha única oração é ver o meu final feliz ali da janela do quarto alheio, com preferência debaixo de uma coberta de pelúcias.

E confesso que eu até gosto de ser fofa. Se isso for falsidade que seja. Viva a nossa hipocrisia de cada dia. Amaria ser foda em tudo o que faço. Gosto de solidão. Detesto estar só. Sou bipolar. Vai me dizer que tu não é só 8 ou 80? E os  números primos porra? E nessa onda quero muitos cabelos. Não sei decidir qual mais. Quero saúde. Mas amo Coca e chocolate. E eu odeio imposição. Mas meu falar se iguala ao de um general.

Tô meio a música da Coldplay. Andando em círculos.

Tenho muitos cansaços, muitos sonos e preguiças. Deem o nome que quiserem. Tenho menos tempo e mais cobranças. Menos anseios e mais afazeres. Eu tô um pouquinho frustrada com a vida é quem não está? Eu falo mal das pessoas mais do que falo bem. Eu sempre acho que estou certa, mas na moral se Deus me colocasse num telão da transparência cara, eu não ia sair de casa. Nem de mim. Considerando tudo que tá errado eu me contento com o bem que há em mim. Eu não me contento vou na dança. A vida é tão rara. Tô meio complicada. Abafada, chata e muito cansativa. Eu já não sei de mim. Eu já não sei dos meus nós.

E queria muito desfazer as licenças poéticas.  Mas parece que a literatura faz-se casa da dor. E bipolarzinha igual a mim. Enquanto escrevo, me transcendia, me reescrevia e desenhava em meus olhos a própria essência. Maluquice. A poesia ameniza o peso dos lombos. Eles estavam cansados.

Às Clarices, Marinas, Brunas, Wanessas, Mariah, Hannas, Natalias, Jéssicas e M@rias agradeço todas as escrituras sagradas dessas escritoras que são sempre vidas compartilhas. Parece que a gente divide não só o peso. Mas o não saber viver. Ou, saber um tiquinho e passar pra frente. Esperando mudar uma frase que desencadeie um enredo que surpreenda os nossos clichês diários. O nosso viver sem flores.

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Natália Rezende
Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.

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