Ela olhava o horizonte, parada sobre a murada do castelo…
Finas gotas de chuva caiam-lhe no rosto.
Ela permitia que se misturassem às suas lágrimas, que se misturassem a ela mesmo.
No horizonte raios cortavam o céu; dentro dela, raios cortavam seu sentir.
Às vezes, ela se permitia ficar apática, era sua fuga.
Os ventos revoltavam seus cabelos e com eles lhe açoitavam o rosto.
Amava a tempestade…
Lembrou-se do príncipe de Ébano que certa vez lhe dissera que ela gostava das tempestades porque a tempestade habitava dentro dela.
Começou a caminhar devagar e silenciosamente, jamais corria. Odiava não apreciar a vida.
Os pingos da chuva, agora mais fortes e pesados, batiam-se conta ela violentamente.
Ela fazia preces, lembrava-se de 1 anjo.
Sua voz, silenciosa, gritava agonizante no seu silêncio, pelo carinho desse anjo.
Entendia ser justo… Ela afastou-se, ele por sua vez a abandonou.
Seu coração pulsava, acelerado, não sabia bem o que sentia; mas sentia a dor que calava em sua alma fria.
A muralha contornava todo o castelo, ela avistou uma porta convidativa, a sala clara chamava-se “mudança”.

Entrou sem hesitar.

Mariah Alcântara

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Mariah Alcântara

Mariah, escritora, sonhadora e apaixonada pela vida. Escrevo desde os 15 anos, comecei com devoção por poesia e depois crônicas e contos (minha paixão). Faço parte de alguns projetos literários importantes, entre eles a Roda de escritores (que hoje tem outro perfil de trabalho) e Escritores da Era do Compartilhamento. Acredito que o sucesso vem com trabalho, e trabalho com amor gera sucesso.