Você lavou a mão pela décima vez. Normal, quando se tem uma mente como a sua. Livros fora do lugar? Angústia. Azulejos mal colocados, terror! É uma necessidade, não uma casualidade.

 Você se apega aos detalhes. Despeja-se em limpezas e por fim tenta se recuperar em um copo de cerveja ou que não lhe dê tanta clareza. Com o tempo você se acostuma e aprende a conviver. A cerveja dá lugar a leituras que lhe permitem viajar e se esquecer dos livros na estante. Você se joga na estrada e passa a apreciar os contornos e mesmo as desigualdades das matas pelas estradas de asfaltos irregulares.  

Você se conforma com porta retratos fora do lugar porque eles guardam a memória de dias inesquecíveis. Aceita os azulejos mal colocados que lhe fazem recordar momentos de sua infância. O loop eterno pode até continuar dentro de sua mente nessas três letras de uma sigla que nunca definem. Um TOC TOC TOC, uma onomatopeia dissonante e gritante. Entretanto, você percebe que é mais forte que sua mente, pois em seu coração você aprende a apreciar a poesia inconstante e fora de qualquer padrão que é a vida e colocar em segundo plano essa onomatopeia dissonante.

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Ygor Phelipe
Um sonhador, um homem de mil faces, de milhares de heterônimos e com uma missão: dar vida aos sonhos por intermédio das palavras. Poeta, romancista e apaixonado por livros, histórias e pelas viagens que elas proporcionam.