O sol escaldante não tirava o sorriso de seu rosto. Seu cabelo enrolado, seus lábios carnudos e seu corpo bem definido completavam a ode à beleza que era Lia. Sempre humilde e encantadora, parecia não haver alma que pudesse não se apaixonar por seu carisma.Mas, meu caro leitor, como eu disse: apenas parecia.

O sonho de Lia era se tornar médica. Poder cuidar daqueles que precisam e ajudar a tornar o mundo um lugar melhor. Depois de muito tempo estudando, conseguiu passar no vestibular e iniciar sua trajetória.

No primeiro dia de faculdade sentiu na pele a diferença: era a única da turma que não possuía um carro do ano ou que trajava roupas de marcas. Mas Lia não ligou. E, logo, se destacou por sua incrível habilidade de aprender.

Os professores a respeitavam. Mas, havia um grupo de garotas, daquelas que vão a Paris várias vezes ao ano e usam roupas que custam mais do que uma motocicleta, em certos casos. Esse grupo de garotas dependia todo seu tempo a criticar e perturbar a pobre Lia.

Resiliente, Lia ignorava os recados que encontrava nas paredes do banheiro ou debaixo de sua carteira: “volte para a senzala” dizia um, “subalterna”, dizia outro.

Lágrimas escorriam pelo seu rosto. Mas ela permanecia firme. E assim, o tempo passou.

Um dia, triste e cabisbaixa, uma professora, Maria Esperança a notou e perguntou o que estava acontecendo.

Lia sentia-se tão humilhada que pensara em desistir. Mas, Maria da Esperança com toda graciosidade a abraçou e mostrou a ela o quanto ela era uma mulher forte, linda e batalhadora,um exemplo para todas. Aquela mulher lhe mostrou o quanto ela poderia chegar longe.

Uma semana passou. Lia se sentia um pouco melhor. Chegando a faculdade foi abordada por um de seus professores que lhe ofereceu uma proposta de estágio em um grande hospital.

Lia sentia-se grata ao universo por toda sua sorte e por incrível que parece percebeu que aquelas que lhe atacavam haviam se ausentado da faculdade. Logo, descobriu que haviam desistido.

Alguns anos se passaram, Lia se graduou e se tornou especialista em urgência e emergência. Um dia, precisou operar uma mulher que dera entrada após sofrer agressão do marido rico com quem havia se casado.

Seu rosto estava tão deformado e inchado que apenas no dia seguinte Lia se deparou com a verdade:ela havia salvado a vida nada mais nada menos daquela que tanto a ofendera. Ao passar pelo quarto da mesma, está segurou em sua mão e juntando seu último fôlego, pediu: “Perdão!”.

Deixe Sua Opinião Ela é Importante Para Nós

SHARE
Previous articleUma mente barulhenta
Next articleEu não quero te perder
Ygor Phelipe
Um sonhador, um homem de mil faces, de milhares de heterônimos e com uma missão: dar vida aos sonhos por intermédio das palavras. Poeta, romancista e apaixonado por livros, histórias e pelas viagens que elas proporcionam.