Tudo começa no seu jeito de desviar o olhar. Na fala distante e imprecisa que as coisas se iniciam. Na raiva que sinto porque estamos assim sem jeito. Na fala descompromissada. No olhar que cruza e se envergonha. Começa nos questionamentos que me faço não entendendo o que raios mesmo eu vi em você. O amor é o culpado por tantas miopias sentimentais ou  somos nós que embaçamos as nossas retinas tentando simplesmente vive-los? O amor  necessita diariamente do colírio da vontade. Eu fujo e finjo. Quero um papo bom apenas. “Acabou”. Como se fosse uma oração atendida sempre. Balela. Papo fraco pra esconder este sentir. Um sentir que como nasceu do nada, faz presença na sua chegada.

Depois do gelo que derreteu em goles etílicos, a cerveja sobe pra cabeça. Seu cigarro também. Eu bebi minha Ypióca mas ainda me mantenho quieta. Seu amigo e eu rimos de textos dele. Temos um papo legal. Talvez, um ciumezinho te impulsiona a me chamar pra perto. Engraçadinho o quanto eu sou tão fácil com você. As coisas simplesmente fluem sem joguinhos. Sem negar minhas vontades. Eu que hoje amo estar imersa na naturalidade que meus atos tem tomado deito no seu colo. E fico agora  entendendo o porque de  sempre querer você. Sua mão passeia pelo meu rosto. E eu sinto. Sinto toda a vontade indescritível que ao me tocar sua pele causa em mim. A sua mão desenha a minha boca e eu tenho que controlar cada impulso que o meu corpo tem. De olhos fechados, você em mim é imensidão.

Eu quero muito te beijar. E você entende o recado. Passeio minha mão pelo seu braço. Sua boca encosta a minha testa. Umas borboletas fazem festa aqui dentro. O coração aperta. Você me olha. Eu sorrio. Você também quer me beijar. Nossas bocas se procuram. E nossos lábios se tocam finalmente. Nossos amigos sorriem de o quanto a gente já não tá nem aí pra esta conversa. Que nosso beijo apaixonado não pode esperar mais. Que a gente podia mesmo fugir dali e poder se pôr no lugar desejado mais um pouquinho. A gente curte a graça do ciúme deles e se acarinha mais uma vez. Eles também sabem que não podemos resistir ao que vêm de dentro.

Te questiono sobre outras paixões. Você nega. Eu e o meu medo descarado de você achar alguma pessoa que mexa com o seu coração. Querem te levar embora. Eu com o olhar meio que grito, mas com a boca sussurro: “Fica!”. Era o que você queria.  Ou quer. E como se não acreditasse que ficou,eu fico feliz.

Nós precisávamos sair dali. Saímos a procura de becos indevidos. Praxe. A gente deixa o tesão fluir. A nossa mistura da mais pura safadeza com um MIX de carinho, ternura e muita vontade de dar prazer ao outro acabam sendo mais alto que o meu juízo. Achamos um canto. Desenhamos paredes. Minha mão chega até todo o seu corpo. Eu quero as suas costas nuas. Tiro sua blusa. Não nos preocupamos com nada. Os carros passam e a gente sente o tesão fluir. Que adrenalina! Eu me tremo toda. “Quero você. Quero você. Quero você”. Repito pra mim. Você me olha e delira. Você promete prazer. Eu entro na sua. Eu não vou fugir do que quero. Não hoje. Vou me permitir tudo com você. Eu também quero. Deitamos no chão de bloquinhos. Está desconfortável. Temos medo de nos pegarem ali. Brigamos um pouco. Pura idiotice as falas. A gente deveria ter deixado apenas o corpo falar.

Olhamos as estrelas mais uma vez. Elas insistem fazer da nossa noite mais um espetáculo. Acho difícil você olhar para o céu sem pensar em mim. Olho você. Não resisto. Ali mesmo te agarro. Subo em você. Quero o seu pescoço, seu peitoral, a sua barriga. Escuto você enlouquecer enquanto minha boca brinca com o seu corpo. Eu sempre quis isso. Enquanto isso você se bate em desejo. Você se enlouquece e eu te beijo a boca. A gente quer se comer. Mas não dava. Não ali. Apesar da nossa insanidade a gente tem muito respeito um pelo outro. Sabia que aquilo não era pra nós. Não ali. Não no agora. Espero que de uma forma bonita. Um dia. A gente reprimiu nosso tesão e se pôs de novo a falar coisas bonitinhas. Seu olhar de desejo para mim não me engana. Tenho você.

Eu te falo o quanto você é o meu erro mais bonitinho. Você se chama de licença poética. Hoje, percebo que você é minha inspiração poética. A gente brinca de não se entender. Se abraça e se beija. Se pertence. Afago na testa. E coisas idiotas de dois tagarelas. Você cita Vinicius de Moraes. E me surpreende. Você fala de amor. Talvez, pra não ser somente eu que fale sempre. Você me abraça e promete coisas que eu sabia que não cumpriria. Eu disse que dependia de você. E as coisas não fluem bem nessa condição. A gente se despede como se entendesse que cada um segue o seu rumo nesta história. Eu com esse gostar de entender que na sua bagunça você apenas me queria dentro. Dentro de ti.

Você fala que eu faria um texto só nosso para não ser postado. E eu descobri que sou o seu texto. E só você que sabe ler. Só você que sabe decifrar as minhas entrelinhas. Não me arrependo do que escrevi com você e para você numa noite fria de Outono. Um de nós tem que amar e dizer. Eu me sinto viva sendo assim. Eu me sinto muito bem quando fico com você.

SHARE
Previous articleA Luta.
Next articlePor favor, leia!
Natália Rezende
Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here