Eu sei que você teve que partir. É que você sempre soube como ir sem se prender a nada. A última despedida não foi regada a lágrimas. Você simplesmente sorriu e apertou bem forte minha mão. Não foram preciso palavras.

Me lembro de quando éramos crianças e você me ensinou que tudo um dia na vida se desprende, muda, se transforma. Se eu pudesse voltar no tempo, voltaria aqueles dias em que podíamos correr pelas ruas sem medo. Ou invadir o quintal do vizinho em busca de pomares recheados. Porém, não sou um viajante no tempo. Não há tempo para saudosismos e aprendo a viver o agora.

Um dia, talvez, eu irei te reencontrar. Um dia, talvez, verei seu sorriso novamente. Mas, ponho meus pés bem fixos no chão porque não quero me perder no talvez. Porque talvez esse dia nunca chegue.

E eu vou vivendo. Vou aprendendo com a simplicidade do pôr do sol e me me tornando forte como o nascer de um novo amanhã. Pode ser que minhas palavras nunca te alcancem. Você aprendeu a viajar ferozmente dia após dia. Pode ser que um dia sua caixa postal finalmente tenha se fixado. Talvez, um dia, você encontre as respostas que saiu para perseguir.

Mas, enquanto isso, não espero por você. Não espero para ver o que vai acontecer. Vivo o hoje porque é tudo o que tenho e faço ele valer a pena. Persisto e jamais desisto e não deixo de torcer e rezar por você. Porque afinal, quais são os desígnios da vida? Difícil de se responder.

Ygor Phelipe

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Ygor Phelipe

Um sonhador, um homem de mil faces, de milhares de heterônimos e com uma missão: dar vida aos sonhos por intermédio das palavras. Poeta, romancista e apaixonado por livros, histórias e pelas viagens que elas proporcionam.