Crônicas

Um plural de vezes contigo

Leia ao som de…

E as vírgulas? Preferiu os excessos do que não vê-las. Ou, não tê-las. Não as ler. Vieses e contextos da cabecinha de pipa “voada”. Ou, papagaio que voou? Na vida tudo é interpretação de texto? Viva a inferência; que na poesia a gente pode tudo.

Até pode nós dois, o meu amor, e três vidas inteiras, vejam só, numa dispensazinha chamada coração. Eu de orgulhosa que sou, nem te passo a localização. O boato é que ando fechada pra visitação. Credo em Cruz, ditado velho, que tu descubra que desde que você partiu a casa é triste.

As vezes preciso dizer que te amo. As vezes me contento em dizer adeus. Um adeus que fica. Vira reticências. Um adeus que é meu verbo: porvir. Ou substantivo colante no seio: Esperança.

As vezes eu só queria dizer que estou cansada. Que a vida está difícil, mesmo sabendo que é pra todo o resto do mundo. Eu só queria ter o pretexto de dizer fora do texto que te quero mais do que qualquer frase exagerada que complete as minhas idas e rimas. Mas eu só agradeço por você não me julgar por eu não ser adepta fielmente do modismo “good vibes”. Tá foda a vida e tá tudo bem.

As vezes que desejo que você entre em mim. Intérprete meu paradoxo pelo amor! Talvez você saberia se ver como eu te vejo. Talvez você se sentiria extensão da minha pobre existência. Talvez, ou as vezes, tediosa sem tanto glamor “instagraniano”.

As vezes eu só queria mais uma vez um plural de vezes contigo. Mas, eu ganhei do universo um plural de vezes comigo, e me convenço que isso é sorte. É que um carinho no agora cai bem. E o meu agora sou eu.

Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.