O som tocou, você parou, alguém na rua faz um barulho. A vizinha bate panelas. E os gritos dos grilos, e a musicalidade dos choros, te fazem pensar com quem você queria dançar?

Sinto os afetos aqui dentro e me remeto aos silêncios. Rimas e palavras não ditas são escritas, mas nunca enviadas. Beira a paranoia, alguém até poderia dizer. Que ironia, mas descobri que os muitos dizeres não são valorizados. Só não há uma carga de culpabilidade saber que há um sentimento na destreza de entender que a vida é o que é e, que está tudo  bem por ser assim.

E parece que os pedacinhos do amor que a gente constrói por aí, podem ser vistos na lupa da razão. Em forma de desejo, vontade, tesão, carinho. Um amor com sabor de esperança na vida. Uma amor que suplica presença e acesso ao universo particular. Talvez, ele se manifeste mais dignamente nos abraços solidários que damos na solidão própria e na alheia. Um amor não visto pelas retinas, que insistiam em ser um mar para mergulho. Talvez, o amor não seja o que só sentimos, fazemos e doamos aos outros.

Tá meio confuso e por isso os “barulhos dos teclados” são ambições desnecessárias. Mas fazem sons sem parar, nos lembrando em que lugar a gente quer voltar, ficar, permanecer musical. É que amei bem mais que a mim tantas pessoas. E sem saber bem para onde vou, eu me permito não ir. Não sei, mas as vezes a gente tem que apertar um stop e elucidar sobre nossos momentos. Por agora, quero só a incerteza boba dos acertos.

Definitivamente, a gente chega no “stop” de uma forma diferente que no “play”.

 

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Natália Rezende
Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.