Existe gente por aí que passa pela viela dos olhos sem fazer alarde. Ficam à surdina, quietinhos nos olhando. Talvez, até namorando os nossos defeitos. Se encantando pelas nossas, tão só nossas eletricidades e paranoias.

E como se fosse um surgir do nada, em um distrair dos nossos discursos ensaiados de maturidade, essas pessoas nos deixam nuas. Não falo aqui do despir das roupas. Mas da alma. De nossos futuros ensaiados. Do script já decorado. Da encheção de linguiça diária.

E nos dá uma vontade tremenda de fugir, de correr, de mudar de rua. Compreendemos em meio ao novo, que ele sempre vem acompanhado do medo. Do enredo desconhecido. Das falas improvisadas. Do imediatismo do sentir. Da sensibilidade aflorada. Da imersão da fala em uma singela verdade.

E assim, como se colocássemos com cautela no convidável cômodo somente a cabeça para descobrir o que está havendo de errado com o ruir do nosso mundo, em meio ao caos e a nossa enfadonha bagunça ali vestidos de uma distração do coração e de nossa vulnerabilidade humana, nos vemos amparados por olhares simples que dizem sempre nos entender.

Então caímos de nossos pedestais do ego, solidão infecunda e as maturidades alcançadas, e nos vemos imperfeitos e aceitamos que as nossas melhorias também são produzidas em favor do outro. Depois disso, de uma forma simples, meiga e recheada de paz, acreditamos que são nas esquinas das vivências que existem estrondos poéticos novinhos nos esperando para nos ensinar a humildade que está revelada no amor.