Somos uma geração que aprendeu muito sobre sexo. Somos expert em dar opinião sobre preferências e gostos. Sabemos as posições ideias, a marca de preservativo melhor, o lubrificante mais indicado, as manipulações midiáticas nos bombardeiam de como o sexo deve ser, com quem e quando deve ser. E o pior de tudo é que a maioria de nós segue tudinho à risca. Mas me pergunto o porque as pessoas são tão inseguras quando falam sobre sexo? Fogem do assunto, brincam, fazem piada, transformaram o assunto em um mero papo erótico e ponto. Isso vem da padronização humana desde os tempos remotos, mas é inegável ver, só basta observar um tiquinho, o quanto as pessoas fazem do sexo , tanto o falado, quanto o escrito e finalmente o realizado em um show pirotécnico que encanta a primeira vista, mas se algo foge do script está aberto a temporada da casa dos horrores. Abre-se toda a caixinha de pandora da insegurança, imaturidade e infantilidade sexual.

Sim, somos infantis em diversos aspectos, porque nos faltou uma aulinha básica, que foge do padrão das aulas mais procuradas “de como fazer o seu parceiro gozar”, ou “como deixar ele louco” e “o melhor boquete do mundo”, nem tem na internet como intensivão de manuais de “como fazer o seu pau crescer alguns centímetros”, nem letras que gritam as músicas de “pererecas suicidas” ou das “novinhas” que alguns “tacam cachaça para elas liberarem”, ou letras do Mr. Catra, esse conjunto músicas que nos ensinaram somente a como ser um ser humano babaca. As aulinhas que nos faltaram (e ainda faltam), tem mais a ver com o pensamento individual, do que com algo que faz parte do seu corpo ou do parceiro. Tem mais a ver com o saber lidar com o seu corpo, seu jeito e suas preferências. Nos faltou aprender que sexo começa  de dentro para fora, ali no mais maravilhoso tesão pelo outro, pelo encontro e o calor de um momento compartilhado. Que não é somente bom se gozar, se trepar de cabeça para baixo, se tiver striep tease. A gente podia parar de representar tanto na cama e ser mais fidedignos aos nossos instintos naturais. Muitas vezes, isso até proporciona prazer para o outro, mas deixa um oco dentro de si que nem noites prazerosas preenchem.

A gente podia parar de se vestir de lingeries e barrigas de tanquinho se tudo isso for somente para impressionar tanto o outro, e se vestir do que está com vontade, mesmo que seja um “sexinho de leve”, “papai e mamãe” mesmo, “rapidinhas” que se entendam, sem tanta expectativa, mas que seja tão verdadeiro com o que emana de si mesmo. Que seja flor da pele. Desde que a gente saiba sorrir de quando brocha, de quando ele esquece que você também quer chegar ao seu ápice, de quando a gente nem quer transar de manhã, nem de quatro, ou ele queira dar carinho ou ligar no dia seguinte! Sim sexo é comportamento, atitude, penetração, sorriso, beijo, amor, carinho, tapa e o que mais for consentido,  e brincadeira com os “errinhos” cometidos. E tudo isso fica mais gostoso ainda quando tomamos ciência que a gente está ali pra dar e receber prazer, não como máquinas programadas, mas em deixar o mais puro tesão fluir, sem “mimimi”, joguinhos e melodramas. Um aspecto especial de quem vem com a mente em prol do lambuzar mútuo.

E ai eu deixo esse papo no ar perguntando se saberemos falar sobre sexo e fazer sexo sem tanto tabu um dia?

3 COMMENTS

  1. GRITOOOOOO! AMEEEEI! Não vou mentir, às vezes sou um pouco egoísta no sexo… Explico: eu me realizo vendo o outro se realizar… Então faço de tudo que sei e aprendi nessa longa estrada da vida para trazer o prazer pro meu parceiro porque isso me dá prazer. E, no final das contas, HOJE a penetração pra mim se tornou supervalorizada. Há tanta coisa melhor e mais intensa pra se fazer com o toque, a boca, a lingua, a respiração… A conexão sexual é uma das mais intensas que se tem nessa nossa espécie e, como dito no texto, estamos perdendo essa percepção por causa do sexo midiático que recebemos por todos os lados nessa sociedade hiper sexualizada que vivemos. Mas aos poucos temos acordado e percebido que a conexão é além do fazer gozar… É um estado de transe que te conecta com a fonte. Eu amo sexo. E eu faço com amor. Mesmo que seja casual, que seja completo.

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