Cartas

Você ainda vai me amar amanhã?

Andava confusa sem caminho certo à seguir. Respirei, cuidei mim e te deixei ir embora desta casa que até hoje era imensa, sombria e assustadora. Por isso, leia ao som de

A minha house recomeças a achar sentindo em meio ao minimalismo, plantinhas pequenas, uma montanha de coisas a menos para se preocupar e quem sabe, umas imersões coloridas. Não decidi ao certo qual a nova cor das paredes. E as dúvidas nos vestem bem.

Mas, sabe ontem quando te vi? Eu tive uma certeza. Amo você. Com todas as coisas malucas que te fazem. Sabes, aquele defeitinho que eu costumo tropeçar e arregaçar a cara, tanto como o coração? Pois é; amo isso também.

E ali, fiquei te olhando, te percebendo na mesma contramão que eu, e me prendi e agarrei o pensamento. Ei, eu que já te conheço tanto, somente agora descobri que não sei nada sobre você. Embora que tu conheces até as minhas insistências em reticências… mas, eu precisava de pontos pra estancar nossa sangria.

Tudo bem. Dou desculpas e engulo a seco um porre de que “é só o jeito dele mesmo”. E é mesmo. Um jeito que não tem nada haver com o meu. Já que que não divide a vida em suas dicotomias e que não abre espaço para mim.

Acontece. E eu já não poderia mais lutar, para ficar com alguém que não quer ficar comigo. E até poderia listar nossas diferenças, mas eu sei que você sabe exatamente cada uma delas. E sabe, hoje penso que talvez você as viu primeiro, e por isso, sem coragem, ou por dó de mim, não me disse.

Mas, eu te entendo. Pois amor quando nos cega, também nos adoece… e eu precisava voltar a enxergar. Precisava me encontrar e me abraçar. Amar-me. Ver-me como ser de novo, e foi por este motivo que eu respeitei a sua ida, e descobri um método de não mais mendigar o seu amor.

Eu só prefiro ver no teu olhar todos os seus esconderijos e partir. Às vezes, ou quase sempre, é o mais saudável à ser feito. Pois, eu finalmente entendi que este sentimento cheio de facetas, se tornou um amor repleto de compreensão. Dói um pouco, porque você ainda vai me amar amanhã. Mas, fica bem! Bem melhor sem mim.

Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.