Crônicas

Vou ver e te falo

Eu queria cumprir todos os “vou te enviar mais tarde algo que vi e lembrei de você”. Mas, sem dizer nada observo uma agenda que se enche de cronogramas e cheklists, e me entristeço ao ver que as pessoas nunca estão nelas. Nem as listas de transmissão colaboram com suas frases cuspidas. Eu estou só, e promovo a solidão alheia.

Apenas diga que você não vai embora

E então, a ausência de atos de amor é a única ação que nos marca. E mata algo em mim. Em ti. E em quem espera. E no momento eu só queria gritar. Ai, eu respiro. E temo o meu futuro.

É que só quero sussurrar e suplicar o afago, o afeto, o carinho e a atenção de todos os que amo. Mas eu não posso pedir sem infligir à regra da liberdade. As pessoas ficam em nossas vidas porque querem. E nada pode mudar essa máxima. Nada!

E ai que eu queria que todo mundo que me cerca pudesse entender quem sou. Ou, ao menos pudesse respeitar quem tenho me tornado. Parece uma oração reclamatória, mas eu cheguei a temida e adiada época do comodismo, e não alço mais voos, não desisto das coisas facilmente, e nem quero mudar mais o mundo. Nem a mim.

Ah… é meio triste. Tristinho. Como um poema que só não pode mais ser escrito, porque alguém cismou que já não quer mais usar certa caneta. Parece bobagem, excesso de linguagem poética, mas a verdade é que dói.

É que nesta era da informação, a gente sabe quando a falta de interesse de se fazer presente, se torna mais presente do que a vontade de fazer a presença ser notada. Já não dá para alcançar o olhar. As mãos. Lábios. Vejam lá os sonhos. Pois o desafeto sempre faz alarde ao bater o ponto entrando em turno fixado no peito.

Mas a gente sempre sobrevive afinal. O Universo se encarrega de colocar tudo no lugar. Parece fraqueza. Que seja. A alegria que me dá é que sem dizer nada, eu já sei percorrer estes caminhos.

Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.